sexta-feira, 4 de maio de 2018

Caixa

E onde estão as dores da alma?
Andamos, lutamos, amamos, trabalhamos com elas escondidas
Debaixo da carapaça
Em algumas pessoas elas aparecem
Em um comentário infeliz, em uma mágoa, em uma fitada julgadora
Em outras dói um dente, dói as costas, os ombros os joelhos
É certo elas estarem em algum lugar
É certo que não sabemos lidar, extrair, aliviar ...



Sentimentos

O silêncio que  moraliza, edifica
A solidão necessária, aproxima
O sofrimento que educa, faz refletir
A solidão que machuca, faz desistir

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Horizonte

A dor testa a fé
Abre ferida no peito
Que dói até a alma
Causando desânimo, irritação
Leva ao desalento
O lamento alimenta a ferida
Muitas vezes a jornada se apresenta impossível de ser atravessada
Requer mudanças drásticas de vontade
Para parar essa alimentação
Não é preciso cicatrizar as feridas para atravessar a jornada
Mas só com o tempo dá para perceber isso

O andarilho

Você escolhe o caminho e a companhia
Tem sorte de ter uma verdadeira
Tem sorte de ter feito essa escolha
Muitos nem isso têm
Não pode culpar a má sorte
Os desafios nunca cessarão
Não é questão de sorte ou má sorte
A questão é sempre o modo que faz o caminho
Como se apresenta o caminho
Como faz para atravessá-lo
Como trata a companhia
E o que espera dela
Com sorte se esforçará para aprender a atravessá-lo
E se livrará da má sorte de não tentar fazê-lo
Se conseguir
O esforço parecerá sorte
Se parar agora
Falará que tem má sorte

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Recalque

Eu preciso do silêncio para seguir em frente
Para tomar coragem e enfrentar os problemas
Não inflar meu peito com os risos e deboche
 Dos que estão nos vendo nessa situação
Não encher meu coração de mágoa dos que resolveram nos abandonar
Eu tenho que estar com os ouvidos atentos
Para as palavras inesperadas de conforto
E os olhos sagazes
Para enxergar o caminho e as oportunidades


terça-feira, 3 de abril de 2018

Êmulo

A dor é profunda
Não é como essa competição dos infelizes, êmulos
Essa é real
Já falei que é profunda, dolorida
Só não é paralisante
Paralisante é a morte
E estou bem viva para lutar contra ela

Desigualdade

Eu tenho companhia para atravessar
No momento estamos praticamente nus vivendo de misericórdia
Agradecendo por esses e praguejando alguns
Não que esses tivessem alguma obrigação
Mas aqueles não têm e ajudam
A caridade é um sentimento fraterno que algumas pessoas têm
Eu arrisco dizer que nascem, ou têm a propensão para fazê-lo
Ontem eu vi pessoas em situações piores que a nossa
Agradeci os nossos problemas
Enxerguei que temos muito para alguns
E quase nada para outros
Esse é o mundo que vivemos
Amanhã começa de novo a nossa travessia

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Desengano.

Você vive até evaporar e quando evapora parece que nada faz sentido
O que deixou de fazer, de pagar, de arrumar, de ouvir, de sentir, evapora também
A vivência é na carne, na roupa, na comida, no dinheiro
E o sentimento na alma, escondido na alma
Na carne as coisas materiais fazem  sentido, tocamos, contamos, trocamos, buscamos por isso
Com a morte tudo some, evapora, e o  imaterial, o sentimento tornam- se tão materiais que precisamos evaporar para perceber que o que conta é o que não tocamos, contamos e nem trocamos...

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Ondas.

É engraçado esse negócio de soltar
De soltar para as coisas acontecerem
Se a vida for mesmo esse toma lá da cá é só questão de exercício
Não um exercício comum, mas um exercício dos bons, diários
Dizem que o hábito faz o monge
Eu já classifiquei a volta do soltar como toma lá da cá, pode ser uma pontinha de maldade ou praticidade, não sei
Para aqueles rancores mais profundos, um sorisso amarelo deve ser um bom começo
Para os rancores mais profundos, um  exercício mental será muitíssimo necessário
Para aquela boa companhia de comentários afiados, ácidos e certeiros , pensamento neutro
Talvez eu chegue lá...

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Lamento.

E nesses dias de silêncio ela conseguiu ouvir
No começo ouviu as lágrimas e depois que cessaram, silenciou
Não valia a pena pronunciar o que ouvira
Resolveu seguir em frente com o silêncio
Mais tarde tentou ouvir novamente
E ouviu o lamento e se calou
Não valia a pena pronunciar o que ouvira
E resolveu seguir em frente com o silêncio
E depois de um tempo longo que caminhava com o silêncio, ouviu as dores
O silêncio a levara aquele mundo desconhecido
Escondido à luz do dia, e conhecido à luz da solidão
De dia caminha de cabeça erguida e de noite lamenta, chora baixinho, ouvindo o silêncio do coração...